Nova bateria de hidrogénio e ferro pode armazenar energia por até 25 anos

À medida que as energias renováveis ganham maior presença no sistema elétrico, cresce também a necessidade de soluções de armazenamento que consigam compensar a variabilidade da produção energética. Nesse contexto, tecnologias capazes de armazenar eletricidade por longos períodos tornam-se cada vez mais essenciais para assegurar a estabilidade e a fiabilidade das redes elétricas.

Um novo estudo publicado pela empresa holandesa Elestor, citado Innovation News Network, sugere que a sua bateria de fluxo baseada em hidrogénio e ferro pode oferecer uma solução durável e economicamente competitiva para o armazenamento de energia em grande escala.

De acordo com o white paper divulgado pela empresa, testes realizados em condições contínuas indicam que a tecnologia pode alcançar uma vida útil operacional de até 25 anos, mantendo níveis estáveis de eficiência ao longo de dezenas de milhares de ciclos de carga e descarga.

 

Um desafio para as redes elétricas modernas

À medida que fontes como solar e eólica ganham peso nos sistemas energéticos, surge um desafio central: armazenar energia quando a produção é alta e disponibilizá-la quando a procura aumenta.

Os sistemas de armazenamento destinados à rede elétrica precisam cumprir requisitos exigentes. Eles devem:

  • operar durante décadas
  • suportar ciclos frequentes de carga e descarga
  • manter custos competitivos ao longo do tempo

Muitas tecnologias apresentam resultados promissores em laboratório, mas ainda carecem de dados de desempenho em ambientes reais de operação. O estudo da Elestor procura preencher essa lacuna ao testar um protótipo de grande escala baseado no mesmo conceito que seria utilizado comercialmente.

 

Como funciona a bateria de fluxo hidrogénio–ferro

A tecnologia utiliza hidrogénio gasoso e sais de ferro dissolvidos como materiais ativos num processo eletroquímico que converte energia química em eletricidade e vice-versa.

Ao contrário das baterias convencionais, nas quais potência e energia são armazenadas nas mesmas células, as baterias de fluxo separam essas duas funções.

Nesse sistema:

  • a potência depende do conjunto eletroquímico (stack)
  • a capacidade de armazenamento depende do tamanho dos tanques de eletrólito

Essa separação permite aumentar a capacidade de armazenamento simplesmente ampliando os tanques, tornando a tecnologia mais flexível para diferentes necessidades de duração.

 

Testes de longa duração

Para avaliar a durabilidade, os investigadores operaram um sistema de grande formato em condições semelhantes às industriais, com temperatura elevada e densidades de corrente constantes.

O sistema inclui:

  • um ânodo alimentado por hidrogénio
  • uma membrana condutora de protões
  • um cátodo de carbono otimizado para reações com ferro

Durante os testes, o eletrólito — uma solução aquosa de sais de ferro — foi circulado continuamente, enquanto sistemas de controlo industrial monitorizavam o desempenho eletroquímico.

Os resultados mostraram:

  • eficiência energética superior a 80%
  • eficiência total do sistema acima de 75%

Mais importante, não foram observados sinais de degradação estrutural durante o período de testes.

 

Capacidade de operar por décadas

Com base nos resultados obtidos, os investigadores estimam que sistemas baseados nessa tecnologia podem operar entre 20 e 25 anos em aplicações de armazenamento para redes elétricas.

Uma vida útil longa é considerada um fator crucial para reduzir o custo total do armazenamento de energia, pois distribui o investimento inicial por um período maior de operação.

 

Um possível aliado da transição energética

Com a expansão das energias renováveis, soluções capazes de armazenar eletricidade por muitas horas ou até dias tornam-se cada vez mais estratégicas.

Se os resultados observados nos testes forem confirmados em instalações comerciais, a bateria de fluxo hidrogénio–ferro poderá tornar-se uma alternativa promissora para apoiar redes elétricas mais limpas, resilientes e com menor emissão de carbono.

 

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