Apesar de alguns progressos nos últimos anos, as mulheres continuam sub-representadas na força de trabalho global do sector energético. Uma análise da Power Technology, citada pela Energy Monitor, mostra que, embora haja avanços, ainda existem desafios significativos para alcançar maior equilíbrio de género na indústria.
Segundo o relatório World Energy Employment 2025 da International Energy Agency, as mulheres ocupam cerca de 20% dos empregos no sector energético mundial, ou seja, apenas um em cada cinco postos de trabalho. Este valor é cerca de metade da participação feminina na economia global.
A proporção tem-se mantido relativamente estável nos últimos anos, em parte porque o crescimento do emprego no sector ocorre sobretudo em profissões técnicas — como soldadores, eletricistas e trabalhadores de linhas elétricas — onde a presença feminina é inferior a 5%.
Ainda assim, há áreas com maior participação de mulheres, como pesquisa científica e fabricação de equipamentos elétricos, onde representam aproximadamente 45% e 27% dos postos, respetivamente.

A participação feminina varia significativamente entre os diferentes subsectores da energia. Segundo a International Renewable Energy Agency, as mulheres representam cerca de 32% dos empregos em energias renováveis, com maior presença no sector solar (40%) e menor na energia eólica (21%). No sector nuclear, a participação feminina ronda 25%, enquanto em petróleo e gás situa-se em cerca de 22%, sendo o transporte por oleodutos e gasodutos uma das áreas com menor representação, com menos de 5% de mulheres.
Na mineração, um dos sectores mais dominados por homens na cadeia de valor da energia, as mulheres representam apenas 15% da força de trabalho global, de acordo com o World Bank. A International Energy Agency também destaca a extração de minérios metálicos (11%) e a mineração de carvão e lignito (7%) como áreas com baixa participação feminina.
Apesar disso, há sinais de progresso na liderança do sector. Desde 2015, a presença de mulheres em cargos de liderança sénior tem crescido mais rapidamente do que a média da economia. Em 2024, as mulheres ocupavam cerca de 18% dessas posições, acima dos 13% registados em 2015. As energias renováveis lideram esse avanço, com cerca de 30% de mulheres em cargos de liderança, seguidas pelo sector nuclear, que alcançou 29%, enquanto o sector de redes elétricas apresenta progressos mais modestos, aproximando-se de 18%.

No entanto, apesar desse progresso, a proporção de mulheres na liderança do setor energético ainda fica abaixo da média geral da economia, que é de cerca de 25%.
Além disso, o progresso também não tem sido uniforme em toda a indústria.
No setor de petróleo e gás, o crescimento na última década foi marginal, e a participação de mulheres em cargos de liderança sénior permanece abaixo de 1%.
Entretanto, uma análise de 2023 da White & Case revelou que 42% das 100 maiores empresas de mineração cotadas no mundo não tinham nenhuma mulher em cargos executivos em 2023 — uma melhoria em relação aos 55% em 2012, mas ainda deixando quase metade das grandes empresas de mineração sem mulheres na alta direção.
No setor do carvão, a representação feminina chegou mesmo a regredir. De acordo com a IEA, a participação das mulheres em cargos de liderança nesse setor caiu cerca de 20% entre 2015 e 2024, descendo para pouco mais de 10%.